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Vestir-se de si mesma pode ser uma uma resposta cheia de esperança a tempos difíceis

Gabi Ritt
junho 7, 2024

A gente sempre fala por aqui como as nossas roupas são uma expressão da nossa identidade. Mais do que isso, também são um reflexo de sensações, desejos e intenções. Quando vamos a uma festa, nos produzimos com nossos melhores looks. Quando vamos a uma entrevista de emprego, nos vestimos de acordo com a cultura da empresa e com o cargo que almejamos.

Mas e quando uma catástrofe atravessa a nossa vida?

Em um post no nosso Instagram, sobre recuperação de uma peça afetiva para uma pessoa muito querida, uma seguidora comentou, de uma maneira muito delicada, o sentimento de perda de identidade em função do uso de roupas emprestadas. E sim, isso acontece. Mesmo com imensa gratidão por receber peças para vestir, fica o gosto amargo de quando um pouco do que se é fica em stand by.

Durante várias semanas, eu, Gabi, assim como muitas pessoas e por diferentes motivos, deixei minhas roupas favoritas de lado. Não, eu não as perdi, o que é de um privilégio enorme. Então, por favor, não me interpretem como alguém reclamando sem motivo. Mas não era um momento de me produzir, diante de todo o caos que acontecia aqui no RS. Não me maquiei – algo que é muito natural para mim, amo uma maquiagem, nem que seja leve -, pois não havia clima, nem ânimo para isso. Fiquei muito desconfortável e sem vontade de fazer coisas que faziam parte da minha rotina e falam sobre mim. Afinal, era tanta tristeza ao redor, e eu me sentia assim. Refleti isso nas minhas roupas, que por um bom tempo só serviram para cobrir o corpo mesmo. É óbvio que isso também era uma comunicação de imagem, mesmo que nada planejada. O sentido de tudo havia mudado.

Tem um livro que eu gosto muito que se chama “A Ilha das Árvores Perdidas”, e uma parte da história se passa em tempos de guerra. Nele há uma passagem assim: “Você não abraça a esperança quando a morte e a destruição estão no comando. Não coloca seu melhor vestido e uma flor no cabelo quando em volta há apenas ruínas e cacos.”. E eu concordo com cada palavra. Quando a tristeza nos circunda, é muito difícil pensarmos em algo que chega a ser uma afronta que é se preocupar com o que vestir.

No entanto, a vida segue acontecendo. E adivinha por onde veio a reação? Sim, por meio das roupas! Senti que era o momento de tentar recuperar um pouco de quem eu era até semanas atrás. Assim, escolhi uma roupa da qual gostava, fiz aquelas combinações bem coloridas que eu amo, me maquiei e fui trabalhar.

E a surpresa foi que as pessoas me falavam, entre elogios, “você voltou!”. E engatamos uma conversa sobre o quanto o se arrumar tem sim a ver com autoestima e o quanto é importante recuperar esse prazer em vestir.

Vestir pode ser só algo funcional, necessário para vivermos em sociedade, nos protegermos e sobrevivermos. Mas quem gosta de história da moda sabe também quantas reações já aconteceram através da escolha da roupa a ser usada. 

Ainda nesse livro que citei há uma frase que diz “O amor é uma afirmação ousada de esperança.”. E eu penso que se vestir de si mesma, que também aqui no Bem Estilosas encaramos como uma forma de amor, pode também ser uma resposta cheia de esperança a tempos difíceis.

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